Leitura bíblica: Gênesis 13.8-13
Versículo base: "Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar." (I Pe 5.8)
A sabedoria popular contém muitos ditados que ensinam a tomarmos cuidado antes de concluirmos a respeito de coisas e pessoas, como por exemplo: " Não julguem pela aparência"; "Nem tudo que reluz é ouro"; "Quem vê cara, não vê coração"; e o próprio título do estudo de hoje: "Cuidado onde pisa".
Porém, há muito mais tempo que isto, a Bíblia, através de muitos exemplos de vida, ou mesmo através de ensinamentos diretos dados pelo próprio Deus, nos ensina a não sermos precipitados em nossas escolhas; a preocupação com estes ensinamentos se dá, porque Deus sabe que temos a tendência de basearmos nossas decisões movidos por conclusões tiradas de forma superficial ou por aparências e não através de uma análise profunda dos fatos, circunstâncias , qualidades essenciais, etc
Vejam alguns exemplos, extraídos da Palavra de Deus, de como somos falhos:
Com certeza, Raabe, "a prostituta", se dependesse de análise meramente humana, não constaria das escrituras, nem da genealogia de Cristo, pois sua vida pregressa falaria mais alto que sua fé. (Hb 11.31); (Mt 1.5)
Sansão, iludido pela paixão que sentia por Dalila, não percebeu seu caráter enganador e sua verdadeira intenção, vindo a perder sua própria vida. ( Jz 16)
Saul, ungido o primeiro rei de Israel, era de família rica e influente, tinha boa aparência e altura, no entanto revelou-se um péssimo rei para a nação; (I Sm 9.1,2)
Samuel, não fosse a intervenção do próprio Deus, teria ungido Eliabe, um outro filho de Jessé, ao invés de Davi, como rei de Israel e sucessor de Saul.(I Sm 16.6,7)
Davi, por sua aparência frágil, não recebeu crédito quando se apresentou para enfrentar o gigante Golias, na batalha que livraria Israel dos filisteus. (I Sm 17.31-33,41, 44).
E tantas outras histórias nos mostram como julgamos apenas pelas aparências, e perdemos a essência, o que realmente importa. Acredito que nem mesmo os discípulos de Cristo, seriam homens simples como pescadores, ou mesmo um desqualificado e odiado coletor de impostos, se tivessem sido escolhidos por nós. Imagino a cena: doutores e mestres apresentando seus vastos currículos e títulos para serem analisados pelas mais altas autoridades, (hehe).
No texto de hoje, lemos que Ló "olhou e viu todo o vale do Jordão, todo ele bem irrigado,..., era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito", e escolheu esta terra para viver com sua família,( Gn 13.10,11). Pensando estar em grande vantagem, não atentou para o que nos conta o versículo 13: " Ora, os homens de Sodoma eram extremamente perversos e pecadores contra o Senhor"
Ló, que pelo menos por duas vezes, segundo a narração bíblica, quase perde sua vida, não fosse pela intervenção de Abrão e a misericórdia de Deus, (Gn 14.14-16); (Gn 19.15,16), além de não demonstrar ser um bom exemplo de homem, não teve um final de vida honroso; perde sua esposa, e suas duas filhas embebedando-o, cometem incesto com o próprio pai; fatos que provavelmente ocorreram por influência da cultura, nas quais estavam inseridos; por habitarem na terra que Ló escolhera, apenas pelas vantagens aparentes, sem se preocupar com as práticas erradas do povo com o qual conviveriam, ele e sua família.
E nós, em que baseamos nossos julgamentos, escolhas, preferências e decisões? Será que temos nobreza para analisarmos profundamente se estas estão de acordo com os ensinamentos do Senhor, ou consultarmos as Escrituras, como faziam os bereanos? (At 17.10-15)
Como temos passado nosso tempo? Que tipo de atividades temos tido em nosso lazer? Como tem sido feita a escolha de nossas conversas, atitudes, amizades, ou mesmo os locais que frequentamos, os programas que fazemos ou assistimos? Enfim, qual tem sido o nosso parâmetro de decisões?
Posso afirmar com certeza, que Deus deu a todos capacidade de discernir entre o que é bom e o que é mal, o que é certo e o que é errado, independente de conhecermos ou não a Palavra de Deus, temos este dom, e portanto somos indesculpáveis, pois o próprio Deus nos capacita para vivermos de forma digna e reconhecendo a Sua existência e soberania. (Rm 1. 18-32).
Pensemos sobre isto: se todos tem esta capacidade, muito mais nós, seus filhos, precisamos prestar mais atenção ainda em nossas escolhas, pois nem sempre as coisas que nos atraem e nos agradam, e que a primeira vista parecem inocentes ou inócuas, ou mesmo aquelas que parecem tão vantajosas, quando analisadas segundo o caráter e santidade de Deus, mostram-se apropriadas para fazerem parte de nossas vidas, por não estarem dentro da perfeita e agradável vontade de Deus.
Sim, precisamos de muita sabedoria, e Deus com certeza tem nos dado recursos para exercê-la!
Como dizemos naquela tão conhecida oração ensinada por Jesus: "Pai nosso que estás nos céus! Santificado seja o Teu Nome. Venha o Teu reino; seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu... E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal..." porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém